sábado, 5 de março de 2011

Cisne Negro




O balé é uma arte bela, encantadora, cheia de movimentos graciosos e apresentações delicadas. Enfim, coisa de mulherzinha. Mas em Cisne Negro o diretor Darren Aronofsky nos leva além desse mundo aparentemente branco e singelo, atirando o espectador em uma viagem intensa e devastadora à mente de Nina, aos sacrifícios que ela precisa fazer, a tudo que ela precisa renegar, construindo uma obra tão visceral e cheia de simbolismos.
Nina é uma bailarina que confunde dedicação com obsessão, que não enxerga limites para conseguir o que quer, ou seja, ser perfeita. Porém até mesmo seu ideal de perfeição é alvo de ressalvas. Ela precisa provar para a companhia da qual faz parte que é capaz de incorporar tanto o cisne branco quanto o cisne negro, na nova versão de O Lago dos Cisnes que está sendo montada e que promete apresentar um novo talento após a saída da até então rainha da companhia.
O agravante aqui é que Nina é muito mais menina do que mulher. Do seu quarto, em tons de rosa e repleto de bichos de pelúcias, até a maneira submissa com que acata qualquer decisão da mãe, tudo leva crer que a moça de 28 anos ainda não completou sequer uma década de vida. E é logo dessa criança em corpo de mulher que será exigido a dolorosa mutação.





Para viver um personagem tão complexo como Nina, Darren Aronofsky precisava de um atriz talentosa e ao assistir o filme, se torna perfeitamente compreensível os vários elogios e prêmios que Natalie Portman vem colhendo com o papel. A atriz interpreta Nina num tom perfeito entre aspectos físicos - um corpo magro demais até para Portman e um tom de voz sempre submisso - e emocionais: delírios, medo e claro, a falta de sensualidade nas danças como o Cisne Negro. Confesso que não conseguia imaginar a sedução à flor da pele que Thomas exige constantemente, mas ao vê-la, não há como não notar a diferença entre as duas danças, e o talento preciso de Natalie Portman.
Um filme sedutor e hipnotizante que trata da arte e de suas múltiplas interpretações com muita visceralidade. Perfeição é utopia? NÃO. Equilibrando drama, suspense, o fantástico e o artístico, Cisne Negro cumpre com louvor todas as suas promessas até o desfecho apoteótico, ao som de aplausos fervorosos. Nada mais apropriado para uma obra prima.



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